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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

ENSAIO LG21 * LITERACIA GLOCAL * PRIMEIRA PARTE

 

NOVO ENSAIO DOS SURREALHUMANITY

 

 

LITERACIA GLOCAL XXI, LG 21 :

 O NOVO PARADIGMA COMUNICACIONAL

EMERGENTE  NO SEIO DOS REAJUSTADOS

SISTEMAS EDUCATIVOS TRANSMODERNOS

 

 

          

           “1.Todas as pessoas têm o direito à educação, bem como ao acesso à formação profissional e contínua.

                2. Este direito inclui a possibilidade de frequentar gratuitamente o ensino obrigatório.

                3. São respeitados, segundo as legislações nacionais que regem o respectivo exercício, a liberdade de criação de estabelecimentos de ensino, no respeito pelos princípios democráticos, e o direito dos pais de assegurarem a educação e o ensino dos filhos de acordo com as suas convicções religiosas, filosóficas e pedagógicas.”

                  Pontos 1, 2 e 3 do 14º Artigo da Carta Europeia dos Direitos do Homem, criada pelo Conselho Europeu de Colónia, a 3 e 4 de Junho de 1994

 

            Catorze anos volvidos desde a redacção da Carta Europeia dos Direitos do Homem, é bom lembrar, a todos, a Presidência da Comunidade das Democracias, assumida em Novembro último pelas autoridades portuguesas, para poder renovar algum sentido de esperança, - relativamente ao qual, cada um de nós, não está isento de responsabilidades - num futuro mais harmonioso e fraterno, à escala internacional. Uma lufada de ar fresco, há muito, que é aguardada por uma esmagadora maioria da sociedade mundial e, muito provavelmente, os sessenta anos da promulgação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que agora se comemoram, efusiva e entusiasticamente, pelos cinco continentes, mais não podem a não ser assumir-se como um reacender de promessas não cumpridas, em parca dívida com as populações votadas ao ostracismo e abandono humanitários.

 

            Aliás, não é filho bastardo do acaso o facto de o actual Secretário-Geral das Nações Unidas, o Exmo. Sr.  Ban Ki-moon, na sua reconhecida linha de acção programática dos últimos tempos, ter sido peremptório quanto aos contornos com que a Declaração do Milénio, ratificada em 2000 por 189 países, vem enformar o novo puzzle geopolítico mundial, designadamente, no que aos Objectivos de Desenvolvimento, a atingir até 2015, se refere. É, pois, natural que a luta firme em prole da erradicação da pobreza e da má nutrição, a preocupação confessa com a degradação ambiental em curso e o flagelo endémico imposto pelo vírus HIV, bem como a acentuada desigualdade de géneros, venham a integrar as diversas agendas políticas dos principais líderes mundiais, nas quais, estamos certos, a rubrica temática “A Educação para todos até 2015não deixará de constar, dadas as múltiplas implicações sociais em jogo. Como é evidente, a Unesco e a União Europeia não poderiam ficar excluídos deste interessante desafio, que é poder contribuir para uma globalização mais harmoniosa e humana.

 

            À luz de todo este envolvimento singular, múltiplos têm sido, como se sabe, os programas e projectos implementados, um pouco por todo o lado, a maioria dos quais graças a planos de co-financiamento delineados, propositadamente, para o efeito.

 

Poderíamos, de súbito, mencionar o caso do Programa Erasmus e do seu congénere Erasmus Mundus, ou da acção levada a cabo pelas Cátedras Jean Monnet, ou ainda, pelo recém-criado movimento Literacia Digital, no contexto da nova organização, com vínculo institucional à O.N.U., designada de Aliança das Civilizações, sob a convicta liderança do nosso Ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.

 

Não deixa, porém, de ser curioso o facto de, cada vez mais, ser perceptível uma abertura, em crescendo, por parte dos mais diversos quadrantes, mormente oriundos do seio académico, face à importância das várias línguas e dialectos, requeridos pela nova concepção arquitectónica do novo espaço criado pelo transmoderno paradigma de comunicação glocal, – termo usado para enfatizar a feliz alegoria da aldeia global – tanto mais numa altura em que se comemora o Ano Europeu do Diálogo Intercultural e celebra, por todos os recantos do planeta azul, o Ano Mundial das Línguas – precisamente, declarado, oficialmente, em curso em 21 de Fevereiro.

 

Importará, por conseguinte, encontrar as eventuais razões deste claro sucedâneo de revitalização cultural, desde logo, ponderar, quanto mais não seja, o potencial conflito com a instalação do novo Mito de Babel, por obra de uma estranha torre, já, baptizada de Rede – ou, mais vulgarmente, de Internet. Quanto a nós, estamos longe de poder subscrever, na íntegra, o Choque de Civilizações de Samuel Huntington, não obstante, sentimo-nos impelidos a reconhecer, hoje, muito por causa do tsunami de terrorismo em voga, a urgente necessidade de estabelecer pontes de contacto entre as várias culturas e cosmovisões do mundo que nos rodeia. Em nosso entender, o pós-modernismo nascido nos alvores dos anos trinta do século transacto, começa a resvalar, de forma paulatina, em enevoados escombros, com uma discrição tal, que, nem mesmo, os pretensos vanguardistas o conseguem desvelar : ao que parece, encontramo-nos no mais inacessível dealbar, camuflado pela espantosa celeridade ditada pelas constantes inovações tecnológicas, de um tempo novo, ainda criança, contudo, bem vivo e de boa saúde – na espiral hegeliana da História, vemo-lo desejo por irromper, com o seu próprio nome, sem dúvida, transmodernismo.

 

     (SURREAL CONTINUA ...)

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publicado por $urrealHumanity às 21:21
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

ANÁLISE DA ACTUALIDADE POLÍTICA SOB UMA PERSPECTIVA SURREALMENTE JOVEM, MAS ATENTA E INCISIVA

 

 Exmos. Senhores Mentores do CCC, Primeira Edição 2007/2008,

 

 

 

 


os SurrealHumanity, depois de tomarem conhecimento da recolha de sugestões inovadoras em curso, sentidas no pulsar do "politicamente incorrecto" dos jovens de hoje, relativamente à intensificação da participação cívica e ao premente reavivar do culto do espírito de cidadania, dado o enorme fosso de distanciamento e o assumido litigioso com os sucessivos governantes e autarcas, não puderam deixar de aderir a esta louvável iniciativa , no sentido de poder colaborar com o CCC, com o calro intuito de "despertar" os máximos responsáveis pelos destinos da nação, para uma mudança de paradigma da convivência política.

Se analisarmos. com isenção e acuidade, as multifacetadas tomadas de posição dos políticos, neste novo período já sem Muro de Berlim, - dito em crescendo de globalização à escala do mundo, vulgarmente tido como ocidental - facilmente concluiremos que está em curso uma estranha espécie de postura estereotipada : além de um enorme respeito pelas "medidas de tendência central" por parte do eleitorado, numa imutável alternância entre partidos praticamente desprovidos de diferenças fracturantes no plano concreto da activação dos seus programas, é manifesta, por um lado, toda uma sensação de impunidade quando toca a erros políticos graves, aliviada por uma predisposição de imunidade parlamentar que permite que a culpa continue a morrer solteira, enquanto que, por outro, se torna difícil confiar nos principais candidatos a líderes, visto teimarem prometer aquilo que, mais tarde, não chegam a cumprir. Quase que é nosso desejo, aqui, afirmar, com todas as letras, que a tecnocracia e a mediocracia, ao se declararem como dois novos grandes poderes, acabam por fazer os políticos reféns dos seus próprios ditames geoestratégicos e interesses de circunstância.

 

Que nos desculpem os autarcas e os governantes da nossa nação, mas a verdade nua e crua é simples : o mercado é quem domina e superintende toda a estrutura societal da actual pós-modernidade; a política aparece apenas em segundo lugar.

Isto faz com que a política perca o seu interesse, mais parece um jogo virtual sem nada de, realmente, palpável que possa sentir-se no seio das nossas vidas quotidianas. A sensação de impotência é de tal ordem que os mais novos apostam mais num registo semi-anárquico e semi-apolítico : o paradoxo "a política não me interessa" parece constituir o único motivo de interesse a conseguir suscitar uma resposta - a da indiferença.

Honestamente, acreditamos, na esteira do pensador francês André-Comte Sponville , que a verdadeira e única resposta deve advir da ética. Não há volta a dar. Moralizar a política. Voltar a centralizá-la no Homem, retomando os ensinamentos de Atenas. Encará-la como uma forma de servir as populações e a res publica, o bem comum. 

 
Pensar, de novo, no interesse colectivo em detrimento do interesse individual. Basicamente, moralizar toda a classe política e a sua forma de legitimação permanente.

Os SurrealHumanity defendem, basicamente, a instauração de um sistema novo, a nível do mundo democrático europeu ocidental, capaz de premiar o verdadeiro mérito dos candidatos e o seu verdadeiro "altruísmo político".

 

O acesso a lugares cimeiros deve exigir, da parte dos candidatos interessados, todo um perfil idóneo e de competência comprovada, em função das áreas de intervenção e das pastas a tutelar : uma idade mínima de 45 anos ; uma sólida formação académica de base, com vincada especialização nas áreas de supervisão ; redução das regalias e mordomias, designadamente, nas elevadas pensões a assegurar pelo erário público, depois de um mandato ou dois ; um background de experiência comprovada no terreno, aquando da sua actividade profissional ; submissão à definição de um sistema de competências "apertadas", do ponto de vista da jurisprudência constitucional, passível de minimizar, preventivamente, o actual cenário de reiteradas falas promessas eleitorais, em que já ninguém acredita - a começar pelas luvas brancas dos nulos, dos brancos e da pesada abstenção em prol de uma tarde solarenga na praia.

Antes de mais, as campanhas eleitorais deveriam ser dedicadas ao aprofundamento, sério e cabal, dos programas políticos a escrutinar, junto das populações, devendo ser preparados de forma mais realista e alicerçando-se no conhecimento das realidade concretas.

Digamos que, no essencial, o primeiro passo de gigante a dar, deve procurar convergir com esta linha de rumo. Depois, e só depois, fará sentido equacionar outras vias de aproximação e de busca de entendimento com as diferentes problemáticas das populações, no terreno, criando, para o efeito, novos patamares intermédios de legitimação cívica, um pouco ao jeito de movimentos associativos ou peticionários, de pendor mais afirmativo enquanto novas formas de contra-poder e de limitação de mandatos.  Um cidadão qualquer do século XXI exigirá, como é evidente, ser tratado como um Sujeito, por isso o sistema corre sérios riscos de vir a implodir, num ápice, se não forma tomadas as devidas precauções.

Por exemplo, porque não pensar na possibilidade de um dado movimento, que surja por vontade expressa dos cidadãos, poder ter assento parlamentar efectivo, com razoável interferência na decisão do plenário, no seu todo  ? A actividade política e correspondente agenda passariam a ditar, sazonalmente, temáticas diversas para o seio da própria sociedade civil, para que, passado um determinado período de tempo definido, esta se pudesse pronunciar, com voz activa, junto dos ilustres parlamentares.

No fundo, a nossa ideia é propor um novo tipo de Parlamento, mais aberto à participação dos cidadãos : 5 % dos actuais lugares de deputado passariam a ser ocupados por novos membros independentes, em representação da mais genuína Sociedade Civil, eleitos por movimentos organizados em função de temáticas suscitadas pela própria agenda parlamentar, por um prazo mínimo de seis meses e sem direito a renovação, o que acabaria por levar a uma redução do número de candidatos - a Regra de Hondt passaria a vigorar, apenas e só, em relação aos restantes 95%.

Como é natural, as escolas teriam de desempenhar um papel decisivo na formação deste novo espírito de participação cívica activa, dando a conhecer os meandros e os bastidores do funcionamento da actividade política, desde as bases até ao topo. Neste quadro, as formas existentes são variadas e, algumas delas, já foram, inclusivamente, divulgadas por alguns dos grupos a concurso. Parece-nos evidente que os jovens portugueses, e não só, se sentiriam mais interessados pela política, se os autarcas e munícipes de relevo locais procurassem ir ao encontro das suas ideias e da sua sensibilidade ; porque não delineando concursos anuais diversos com vista a premiar o esforço e a criatividade.

De facto, a sustentação do actual conteúdo discursivo político e da sua inerente retórica, de barbas sofistas ancestrais, impostas por uma mediatização massificada em quantum de share por metro quadrado, associado a um carisma exigido como prioritário, tem-se mostrado inviável. Tem de enveredar por uma estratégia política que seja assimptótica com a verdade dos fenómenos, sem descurar uma importante vertente pedagógica e argumentativa.

Em boa verdade, temos de reconhecer que esta problemática não é exclusiva da responsabilidade política dos governantes, na medida em que o seu verosímil raio de acção é bem mais alargado. Os tentáculos deste polvo social são múltiplos e difíceis de admoestar coercivamente, de forma profícua, no sentido da preservação de uma democracia saudável.

Os SurrealHumanity , em jeito de glosa, lembram a todos que a política é, conforme Leibniz tanto apreciava, a construção humana do melhor dos mundos possíveis. Já a Democracia, para Winston Churchill, representava o melhor dos piores sistemas : da nossa parte, numa toada meio elitista, assumimos a nossa veia meritocrática de competência, de humanidade, de dedicação e serviço gratuito e de firmeza nos valores essenciais.

Que os nossos jovens aprendam quais os valores nucleares à manutenção da coesão social, o resto virá, com toda a certeza, por acréscimo ...

Um forte abraço fraterno e ateniense, à Pericles, dos Surreal.

 

 

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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO : ALGUNS INFUNDADOS NEUROMITOS DE CONTORNOS DIDÁCTICO-PEDAGÓGICOS

 

 

 

 

 BREVE RESENHA DA NOSSA ANÁLISE DE UM TEXTO DE REFERÊNCIA, RECENTEMENTE PUBLICADA PELA OCDE E PELO CERI , SOB O NOME DE "COMPREENDER O CÉREBRO : NASCIMENTO DE UMA CIÊNCIA DA APRENDIZAGEM"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cumprimentos cordiais a todos,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

os SurrealHumanity , na continuidade das análises levadas a cabo no decurso desta semana em busca de boas e inovadoras práticas pedagógicas - com especial tendência para o ensino das línguas -, consideraram como oportuno, neste dia 17 de Abril, a menos de uma semana da divulgação oficial do resultado do Concurso BiblioFilmes , a coincidir com o Dia Mundial do Livro, trazer a lume algumas das recentes conclusões alcançadas, no âmbito do estudo levado a cabo pela OCDE  e pelo CERI , ou Centro para a Investigação e Inovação no Ensino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Levantando um pouco o véu, podemos, desde já, adiantar que a chave conceptual deste texto se prende com o chamado neuromito " : ideias fantasistas, ainda que retomadas de quando em quando - vai se lá saber porque razões -, que vão desde o típica dicotomia "cérebro esquerdo" versus "cérebro direito", passando pela aceitação quasi-dogmática de um determinismo do desenvolvimento, nos primeiros anos de vida das crianças, e culminando nas "intrigantes" diferenças entre sexos e a mais que debatida questão da via da aprendizagem multilingue.

 

 

 

 

 

Desde que há memória, o Homem - sob o Novo Acordo, Omem - a par da sua insatisfeita natureza, muitas vezes se tem contentado em dar por garantidas algumas explicações, demasiado céleres e simplistas, a maior parte das quais se vem, depois mais tarde, a revelar absolutamente insustentável, dada a absurda futilidade das suas extrapoladas interpretações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRIMEIRA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"PARA O CÉREBRO HUMANO, TUDO SE

JOGA ATÉ À IDADE DE TRÊS ANOS"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neste domínio em concreto, as demarcadas conceptualizações de matriz anglo-saxónica são conhecidas de todos nós. Bastaria, para o confirmar, mais uma vez a rebate, digitar num qualquer motor de busca, por exemplo, a expressão inglesa Birth to three " e, num ápice, seríamos aconselhados a adquirir toda uma multifacetada gama de produtos para potenciar a " máxima inteligência". A razão para este credo prende-se com a existência faseada de alguns fenómenos psicológicos específicos, que, efectivamente, tendem a ocorrer nesta faixa etária do desenvolvimento das crianças. Em abono da verdade e das limitações epocais da ciência humana, fomos sendo encorajados a alimentar um dogma neuronal : o número máximo de neurónios seria determinado à nascença, visto que a sua regeneração jamais existiria. Hoje, sabemo-lo, de forma mais clara, as coisas não são tão lineares, como à primeira vista se poderia fazer querer. A leitura feita no passado, de facto, mostrou-se bastante incompleta ; vejamos melhor porquê ...

 

 

 

 

Ora. a componente fundamental do tratamento da informação, no cérebro humano, é a célula nervosa, vulgarmente designada de neurónio. Cada um deles, por sua vez, pode conectar-se com milhares de outros, seus congéneres informativos, o que permite a circulação massiva dos data em múltiplas direcções, em simultâneo. Através das ligações entre os diferentes neurónios - apelidadas de sinapses -, os impulsos nervosos podem circular, de célula em célula, e, deste modo, servir de suporte ao desenvolvimento das competências e à capacidade de aprendizagem.

 

 

Assim, torna-se evidente que o processo de aprendizagem se encontra, inextricavelmente, ligado à criação de novas sinapses, e, já agora, ao reforço ou amortecimento das existentes. Um facto é indesmentível, comparado ao número de sinapses de um adulto, o de um recém-nascido é bastante inferior ; porém, e quiçá o mito tenha sido gerado a partir daqui, passados apenas dois meses, a densidade sináptica do cérebro da criança aumenta de forma exponencial, chegando mesmo a ultrapassar a de um adulto - alcançado o apogeu, por volta dos dez meses. Vivido esse tempo, inicia-se um largo péríodo de declínio regular, até à idade de dez anos, altura em que o "número adulto de sinapses" é atingido.

 

 

 

 

 

Ainda hoje, em alguns meios de proa académica, vagueia a ideia, não sabemos se importada de algum (pseudo-)elitismo anglo-saxão, que a pujança criativa, raramente, ultrapassa o limite tangencial dos trinta anos ; um pouco ao jeito da conhecidíssima carreira de futebolista - de qualquer modo, como as diferenças salariais, num e noutro caso, se mostram abissais, estamos a crer que o "futebolês" se terá transfigurado em novo mito... ou não ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para pôr termo a este primeiro ponto, voltaríamos a sublinhar, de novo, a ideia de que o cérebro humano conserva intacta a sua plasticidade neuronal, e também sináptica, ao longo de todo o processo vital. O estudo levado a cabo por Terry et al, assegura-nos, nesta matéria, que o número total de neurónios em cada zona do córtex cerebral não depende da idade do indivíduo em causa, até porque existem certas regiões do cérebro - nomeadamente, o hipocampo, uma das componentes cerebrais implicadas no processo de memória espacial e de navegação, segundo Burgess et O´Keefe, 1996 - capazes de contribuir para a geração de novos neurónios ao longo da vida ; seja como for, "a corpulência dos neurónios", essa sim, é manifestamente diferente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SEGUNDA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"APENAS UTILIZAMOS 10 % DO NOSSO CÉREBRO"

 

Muitos são os que já ouviram falar, certamente, do grande pedagogo francês, Jean Piaget, um dos intelectuais que mais influenciou a organização dos sistemas escolares, no decurso do derradeiro quartel do século passado. Segundo Piaget, a criança apresenta diversos períodos específicos de desenvolvimento cognitivo, estando apta a ler e a contar, apenas por volta dos 6 a 7 anos de idade. Recordamos à Blogosfera que em todos os países membros da OCDE, no que à escrita, leitura e aritmética concerne, a iniciação das crianças se dá, precisamente, por esta altura. Contrariando, talvez, o famijerado matemático, Richard Dedekind, para quem os números naturais teriam algo de co-natural - género de um a priori à la Kant -, Jean Piaget entendia que, neste particular domínio, o nascituro não trazia consigo nehuma espécie de representação do conceito de número. Stanislas Dehaene, a nossa figura da semana, provou, nos seus trabalhos de 1997, que Piaget estava errado ; e mais, Gopnik et al, 2005, inclinam-se a ver num recém-nascido, alguém muito mais dotado do que até aqui se supunha. As novas técnicas de mapeamento cerebral constituem, afinal de contas, o ónus da tão desejada prova. Contrariando todas as obsoletas concepções, dos 10% ou dos 30% funcionais, hodiernamente, os neurocientistas convergem, quanto à máxima funcionalidade do cérebro humano, contrapondo aos referidos valores, o número redondo de 100% !

 

 

 

 

 

 Mesmo durante o sono, as diversas zonas cerebrais mantêm os seus discretos níveis de actividade. Quanto à verosimilança de uma fértil plasticidade de renovação neuronal, temos a nosso favor o universal processo de selecção natural, ao ponto de neurónios desgastados e improdutivos se verem auxiliados, por outros emergentes e cheios de vitalidade. Se é bem verdade que o cérebro humano apenas corresponde a 2% do peso total do corpo humano, não é menos certo que consuma, cerca, de 20% da energia disponível - perdoem-nos a imagem, mas um patrão tem mesmo muito trabalho.

 

 

TERCEIRA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"O CÉREBRO DE UMA CRIANÇA APENAS PODERÁ APRENDER UMA LÍNGUA DE CADA VEZ"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Actualmente, cerca de metade da população mundial - e espera-se que este número venha a aumentar no decorrer dos próximos tempos - fala, pelo menos, duas línguas ; na maior parte dos casos, a língua materna e o inglês - ainda que varie de situação para situação. Um dos mitos mais inculcados pelas mentes dos nacionalismos exclusivistas, consistia em crer que a aprendizagem de uma língua, elevada a patamares superiores, acabaria por levar a que o estudo de uma outra língua tivesse de ser, forçosamente, secundarizado ; diríamos, mesmo, quase inviabilizado, pelos fracos resultados a colher.

 

 

 

Ainda hoje, se mantém incólume, nalguns sectores da sociedade, o velho princípio de que, antes de mais, se deve proceder ao estudo independente da língua materna ; qualquer outro cenário paralelo, teria de cair por terra.  Naturalmente que as verdadeiras razões tinham a ver com questões e interesses de ordem cultural e política, tão em voga na época. No entanto, coibamo-nos de cair na tentação de querer encarar o mito nacionalista linguista de novecentos, disseminado pelo movimento romântico herderiano, como exclusivo de um passado, para sempre, enterrado nos confins da história ; hoje mesmo, interrogamo-nos se não estaremos na eminência de um outro mito global, de laivos darwnistas ou spencerianos, quase nos antípodas, em que as próprias línguas maternas são feitas vítimas de um processo geopolítico de hegemonia mundial, em benefício de uma das suas variantes...

 

 

 

A montante das nossas convicções pessoais sobre o assunto, um aspecto nos parece indiscutível : qualquer um de nós que tenha compreendido um determinado conceito, numa dada língua, é, com toda a certeza, capaz de o perceber numa outra língua ou dialecto. Olhando de frente a realidade que nos rodeia, facilmente constatamos que as pessoas multilingues, a dada altura, já nem tão pouco se lembram qual o idioma através do qual incorporaram um dado conceito ; por outro lado, estudos levados a cabo apontam o multilinguismo como um fenómeno potenciador de uma  aquisição mais ampla ao nível das múltiplas competências linguistícas.

 

Aquilo que o presente estudo acaba por recomendar, no âmbito da aprendizagem das línguas, passa, fundamentalmente, por sugerir aos sistemas educativos, em geral, que optem por uma linha de orientação bem alicerçada em boas práticas, já implementadas e com provas dadas, isto sem descurarem os novos estudos complementares sobre o funcionamento do cérebro humano, cujas vias de investigação, se espera, continuem a merecer os apoios necessários da parte dos representantes eleitos.

 

 

QUARTA CONCEPÇÃO A CAIR POR TERRA :

"OS CÉREBROS DO HOMEM E DA MULHER

SÃO RADICALMENTE DISTINTOS"

 

 

 

 

A olhar para os resultados do PISA 2003, por exemplo, talvez nos sentíssemos inclinados, ou mesmo tentados, em tirar a simples ilação de que o sexo masculino se dá melhor com as matemáticas, ou com o raciocínio lógico-dedutivo ; enquanto que, da parte das mulheres, a tendência recairia sobre um melhor domínio da língua. Alguns estudiosos mais curiosos por esta "imortal guerra dos sexos", chegaram mesmo a confirmar a existência de diferenças ao nível da morfologia e da própria funcionalidade : no caso do cérebro do homem - ou omem -, o volume cerebral é maior ; em relação à mulher, mal o jogo complexo da linguagem tenha dado os seus primeiros passos, o que se evidencia é o facto da zona afecta à linguagem ser activada com muito maior intensidade. De qualquer das formas, pareceu-nos, neste quadro de diferenciação sexual, que estamos muito longe ainda de poder edificar uma opinião sólida e credível.

 

Bom, caros amigos criativos, de uma coisa podemos todos estar bem certos e tranquilos : por um lado, a memória humana não é ilimitada, dada a exigência "materializável e mensurável" da sua finitude de armazenamento ; por outro, saímos daqui com a pretensão de ter esclarecido a Blogosfera quanto ao facto de a  nossa memória  não obedecer, em regime de exclusividade, a um só tipo de fenómeno, até porque não se localiza concentrada num único ponto isolado do nosso cérebro.

 

 

 

Enquanto Surreais convictos que procuramos ser, não podemos deixar de terminar com mais um delicioso apontamento final : a forma de compensar essa finitude cerebral não deve ser encarada, por nenhum de nós, como uma tragédia racional ; muito menos, deverá, em estilo de resposta vingada, na qualidade de interface homem-máquina, almejar proceder à criação de mecanismos de compensação cerebrais exógenos ao corpo humano, tal qual "implantássemos mais um determinado número de gigas de memória, à nossa escolha, e a uma velocidade de processamento de informação a rondar o máximo permitido". Desde sempre, nós, humanos, reais e surreais, dispusémos de mecanismos naturais de compensação, nomeadamente, por intermédio da dita memória visual ou fotográfica - um termo já mais recente - ; falamo-vos da "memória eidética" ...  Nunca a ignorem, por favor !

 

              Cérebros Criativos, um abraço dos Cérebros Surreais !

 

    Texto dos SurrealHumanity , adaptado de : Capítulo 6 "Dissiper les neuromythes de l´ouvrage de réference : Comprendre le cérveau : Naissance d´une science de lá aprentissage", OCDE &  CERI  2007.

 

                   Para mais informações, clique em : ESTUDO .

 

 

sinto-me: UM MITOS POR RACIONALIZAR OOOH
publicado por $urrealHumanity às 22:15
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

REVISTA VISÃO DESTE SEMANA PROJECTA PORTUGAL DENTRO DE 15 ANOS * ANO DE 2023

 

 

 

 

VAMOS LÁ VER AQUILO QUE SE LÁ DIZ ...

 

 

15 ANOS DEPOIS ... 10 DE ABRIL DE 2023 !!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comecemos pela TECNOLOGIA, apesar de termos lido o "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley há tempos largos, com a sua profética "Soma", os seus "Alfas" e os seus "Betas" , só para dar a conhecer a nova referência ao Professor António Câmara da última edição da Revista VISÃO.

 

 

 

 

 

 

O conceituado Professor, uma das grandes referências nacionais e certamente uma das mentes mais criativas do actual panorama intelectual, - que ,ainda recentemente, participou no painel do Programa "Prós e Contras", da RTP 1 -  é citado, no final da página 74 da referida revista, enquanto líder da empresa portuguesa YDreams, que antecipa duas grandes tendências para os tempos vindouros : " Todas as superfícies serão interactivas - papel, plástico, madeira, cortiça, vidro e têxteis. A segunda linha são os desenvolvimentos nas tecnologias ligadas aos ecrãs, apontando para a convergência entre a TV e o computador. "

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Seguidamente, procuraremos, em moldes muito resumidos, sintetizar as linhas de proa do denominado Dossier " Especial Portugal 2023 - O futuro é lá para a frente", em jeito de um DÉCALOGO MOSAICO  :

 

 

PONTO 1* MODA / ROUPA ECOLÓGICA E INTELIGENTE

materiais amigos do ambiente com performances inteligentes ;

incorporação das tecnologias de informação ;

materiais adaptáveis a alterações climatéricas ;

incorporação standard de nanotecnologias de ajuste de temperatura corporal ;

padrões poderão ser mudados através de microships  ou aparelhos de MP4 .

 

PONTO 2* CARRO DO FUTURO E SEGURANÇA RODOVIÁRIA

carros movidos a energia solar e eólica ;

travões e volante incorporados num comando único ;

comunicação entre veículos graças a radares periféricos instalados ;

informações sobre a localização e o estado do condutor.

 

PONTO 3 * DEMOGRAFIA E FAMÍLIA

volume populacional diminui devido à fraca natalidade e a saídas migratórias ;

à excepção das grandes áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, secundarizadas pelo Algarve enquanto atractivo destino turístico, a tendência é de manifesta descidado efectivo populacional ;

famílias hodiernas casam menos, divorciam.se mais, tardam em ter filhos e aderem às uniões de facto.

 

PONTO 4 * AS CASAS DE AMANHÃ

antropocentrismo é a palavra de ordem da nova procura ;

mais adequadas ao teletrabalho ;

respeitadoras do ambiente ;

produtoras da sua própria energia.

 

PONTO 5 * NOVOS TRANSPORTES

em 2012, prevê-se que todas as capitais de distrito estejam ligadas por auto-estrada ;

Aeroporto de Alcochete com abertura prevista para 2017 ;

Aeroporto Internacional de Beja, já em 2008, sem esquecer a promissora Alqueva ;

em termos ferroviários, estão previstas as ligações de Lisboa a Madrid, para 2013 e em 1,15 h, as de Porto-Vigo, de Aveiro-Salamanca ede Évora-Huelva, para 2017.

 

 

SURREAL DEMARCAM PONTO SEIS NA SUA ANÁLISE

 

 

PONTO 6 * ESCOLA E O ENSINO DO FUTURO !!!

 

 

 

O aluno será o actor principal do acto educativo ;

Cenário envolvente dominado pelas novas tecnologias, bem obedientes da Lei de Moore, tendo como pano de fundo práticas ambientais eficazes ;

Espaços versáteis para proporcionar o máximo conforto possível ;

Laboratórias e oficinas na dianteira ;

Salas de atendimento inovadoras ;

Bibliotecas a assumir uma posição central, munida de um centro de recursos audiovisuais e multimédia ;

Salas de Professores / Gabinetes de Apoio e de Tutoria ;

Jardins e hortas nas imediações dos edifícios

Cantinas e bares mais apelativos, que incentivem ao estudo ;

Computadores pessoais para cada aluno, com caneta digital ;

Dispositivos de avaliação interactiva ;

Computador do professor, ligado em rede, e quadro interactivo ;

Centro de multimédia ;

Áreas desportivas ;

Centrais de geração de electricidade ( cf. sugestão CCC, em vídeo, de uma

escola britânica destinada a crianças )

 

 

 

 

 

 

PONTO 7 * ECONOMIA, TURISMO E RIQUEZA

Portugal irá receber cada vez mais visitas, mormente em lazer ;

Afectação considerável do PIB nacional, através de um fortíssimo contributo deste sector ;

um país tendencialmente prestador de serviços.

 

 

 

 

PONTO 8 * SAÚDE - A VITÓRIA DO CIDADÃO

facilidade de acesso sobre dados corporais, mediante um smart card ;

expansão da telemedicina, com alguns exames de rotina e análises a poderem ser feitas à distância.

 

 

 

 

PONTO 9 * OS MEDIA NACIONAIS

previsão de uma quebra muito significativa na venda de periódicos ;

mais de três quartos da população portuguesa estará on line ;

redução, na ordem dos oitenta por cento, no número médio de

minutos dispendidos a ver televisão.

 

 

 

 

PONTO 10 * AGENDA POLÍTICA DOS PRÓXIMOS TEMPOS

surgimento, em grande força, dos spindoctors e experts em marketing político ;

submissão da política ao culto de uma dada imagem ;

discursos políticos com tendência para serem reduzidos;

agravamento da actual situação de litígio das populações com os políticos ;

comunicação com contornos multivisuais.

 

 

 

 

 

EM TUDO É PRECISO TER VISÃO,

NÃO ACHAM CRIATIVOS ?!

 

                Dêem um saltinho a : www.visao.pt .

 

 

 

 

 

               in  Revista Visão Nº 788, Edição de 10 de Abril de 2008, " Especial 15 anos - Portugal 2023", pp 68 - 86

 

sinto-me: PROFÉTICO, QUAL MOISÉS ...
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

NERCAB PERCEBE A NECESSIDADE URGENTE DE APOSTAR FORTEMENTE NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL E QUALIFICAÇÃO

 

 

QUALIFICAÇÃO DAS POPULAÇÕES DA BEIRA INTERIOR,

UMA IMPOSIÇÃO DA NOVA CONJUNTURA GLOBAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vasto Plano de Cursos de Formação Profissional, no âmbito do Programa Operacional do Potencial Humano do QREN, está a ser proposto, pelo Nercab, às populações residentes como potencial plataforma de mobilidade e flexibilidade no acesso ao emprego.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A formação disponível, nesta associação empresarial, abrange a Adaptabilidade e a Aprendizagem ao Longo da Vida, - enquanto eixos de referência do POPH - através do Centro de Novas Oportunidades, Cursos de Educação e Formação Modulares Certificados e de Cidadania, Inclusão e Desenvolvimento Social, nomeadamente a Formação para a Inclusão.

 

 

 

 

O Nercab aposta forte nos cursos Educação e Formação para Adultos (EFA), destinados a pessoas com idade igual ou superior a 18/23 anos, que conferem uma dupla certificação.

 

 

 

 

A sede encontra-se em Castelo Branco e delegações na Covilhã e em Proença-a-Nova. Aposta, também fortemente, nas Formações Modulares certificadas, que se destinam a activos com idade superior a 16 anos, detentores de baixas qualificações (inferior ao 12.º ano de escolaridade).

 

 

sinto-me: UM MERO CABO ...
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

MILÃO E IZMIR, DUAS FERVEROSAS CANDIDATAS À EXPOSIÇÃO UNIVERSAL DE 2015. RESULTADOS, AINDA, ESTE MÊS

 

 

DEVERÁ A TURQUIA INTEGRAR

O ACTUAL FORMATO DA UNIÃO EUROPEIA ?

 

ISLÃO E OCIDENTE

EM BUSCA DE ENTENDIMENTO !

 

 

   Os SurrealHumanity, neste dia de Páscoa, certamente uma data memorável para os cristãos de todo o mundo, vêem recordar as palavras, sempre doutas, do Apóstolo São Paulo aos Colossenses : "Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra" ( cf. Col 3 , 1 - 4 ).

 

    A propósito, valeria a pena recomendar a leitua atenta da Carta Encíclica "Spe Salvi" do Sumo Pontífice Bento XVI. De facto, como bem no-lo recorda Sua Santidade, "SPE SALVI facti sumus " - é na esperança que fomos salvos: diz São Paulo aos Romanos e a nós também ( Rm  8 , 24 ).

 

    Ou, no seu lugar, meditar sobre o final da Mensagem Urbi et Orbi, proclamada pelo Papa Benedictus XVI : "Como não pensar neste momento, de modo particular, em algumas regiões africanas, tais como o Darfur e a Somália; no atormentado Oriente Médio, especialmente na Terra Santa, no Iraque, no Líbano, em enfim no Tibete, regiões para as quais faço votos por que se encontrem soluções que salvaguardem o bem e a paz!"

 

    Também não serão de olvidar a visita do Papa Bento XVI à Turquia e, muito menos, as recentes declarações vindas a lume, - supostamente da autoria do comando supremo das operações da Al Qaeda, Osama Bin Laden - mediante as quais a Igreja Católica é acusada de cúmplice "na perseguição aos muçulmanos".

 

 

 

     Felizmente, um vídeo, recentemente, produzido e passado nos mais diversos meios de comunicação social,  - cujo cenário de fundo envolve um jogo de futebol - vem demonstrar que o mundo islâmico se encontra longe de subscrever as invectivas de terror apregoadas ; no fundo, todos o sabemos, o Islão é, também, uma religião defensora da paz entre os povos - por isso, deixemo-nos de contendas.

 

    Neste ano em que se comemoram os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem e, outros tantos, do nascimento oficial do Estado de Israel, seria desejável encontrar uma definitiva solução de paz, para a região israelo-palestiniana. Chega de diásporas forçadas pela imposição das armas. Chega ! A cada um a sua páscoa ...

 

    Ora, se o Kosovo declarou, há coisa de bem pouco tempo, de forma unilateral, a independência em relação ao domínio sérvio, talvez fosse, igualmente, interessante que a China encontrasse uma "solução criativa"  para o Tibete, e o mesmo para Tawain ; já agora, que os Estados Unidos da América saneassem, de vez, a questão quente iraquiana, mediante uma concessão "inteligente" da desejada autonomia e que, por seu lado, a província do Curdistão deixasse de ser motivo de múltiplas cobiças usurpadoras, seja da parte do Iraque ou do Irão, seja da parte da própria Turquia.

 

     Ora, fiquemos, em seguida, com um excerto de um comunicado oficial, a cargo do Presidente do Conselho Pontíficio para o Diálogo Inter-Religioso, Sua Eminência o Cardeal Jean-Louis Tauran, sob a pena do seu Secretário, Sua Exma. Rev. o  Arcebispo Pier Luigi Celata - que, agora, passamos a transcrever :

 

    " (...) A liberdade de religião, que não se reduz à simples liberdade de culto, é um dos aspectos essenciais da liberdade de consciência, que é o propósito de toda a pessoa e que é a pedra de toque dos direitos humanos. É tendo isto em consideração que poderá ser edificada uma cultura de paz e de solidariedade entre os homens, e que todos poderão empenhar-se com determinação tendo em vista a construção de uma sociedade sempre mais fraterna, fazendo tudo o que está ao seu alcance para recusar a violência, seja ela qual for, para denunciar e para recusar todo o recurso à violência, que não poderá nunca ter motivos religiosos, pois fere no homem a imagem de Deus. Todos sabemos que a violência, em particular o terrorismo que agride cegamente e que faz numerosas vítimas sobretudo entre inocentes, é incapaz de resolver os conflitos, e que só pode suscitar a engrenagem mortífera do ódio destruidor, em detrimento do homem e das sociedades.

 

    Todos juntos, membros de tradições religiosas diferentes, somos chamados a difundir um ensino que honre toda a criatura humana, uma mensagem de amor entre as pessoas e entre os povos. Cabe-nos em particular formar neste espírito as jovens gerações, que terão a seu cargo o mundo de amanhã.

 

      Neste espírito, é preciso considerar importantes a prossecução e a intensificação do diálogo entre Cristãos e Muçulmanos, na sua dimensão educativa e cultural, para que se mobilizem todas as forças ao serviço do homem e da humanidade, para que as jovens gerações não se organizem em grupos culturais ou religiosos uns contra os outros, mas se tornem autênticos irmãos e irmãs em humanidade. O diálogo é um instrumento que nos pode ajudar a sair da espiral sem fim de conflitos e tensões múltiplos que atravessam as nossas sociedades, para que todos os povos possam viver na serenidade na paz, no respeito mútuo e no bom entendimento entre os seus diferentes elementos.

 

   A educação e o exemplo serão também para eles fonte de esperança no futuro. (...)"

    

     Depois destas palavras eivadas de sabedoria, acreditamos que tudo está dito - e bem dito. Quanto a nós, Surreal do Externato de Nossa Senhora dos Remédios do Tortosendo, acérrimos defensores do ecumenismo e do diálogo inter-religioso e intercultural, naturalmente que subscrevemos, na íntegra, estes Altos Dignatários da Igreja Católica : urge, a começar, precocemente, nas escolas, por incutir, neste novo reticulado global, uma ampla formação de base no que às diferentes concepções religiosas e culturais se refere - aliás, é esta, também, a leitura que a Unesco e a Aliança para as Civilizações fazem  ( a presente leitura não dispensa a consulta dos documentos abaixo mencionados, em epígrafe ).

      

 

       Oportuno é dar-vos a conhecer uma, ainda, recente, mas não por isso menos interessante, iniciativa da parte das duas cúpulas religiosas, precisamente, neste particular sentido. Terá sido por este motivo que, do lado dos grupos filiados ao terror, se procurou radicalizar o discurso, ao longo destes últimos dias ?

              Deixamos a questão em aberto, para a posteridade ...

      O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso (CPDIR), do Vaticano, anunciou, no passado dia 5, a criação de um Fórum católico-muçulmano, com o objectivo de promover o diálogo entre os fiéis das duas religiões. Num comunicado oficial,  a preceito, o CPDIR revelou, também, que a primeira iniciativa deste Fórum será a organização de um Seminário, de 4 a 6 de Novembro de 2008, sobre o tema “Amor a Deus, amor ao próximo”.

     De modo que, em jeito de glosa, compete-nos afirmar, sem rodeios, que somos apologistas convictos da entrada da Turquia no espaço da União ; como é evidente, desde que, da parte dos seus máximos representantes, haja suficiente abertura aos valores charneira da Europa ... 

                                                       Epígrafe ao Post de hoje :

 

    Os Surreal prometem continuar esta saga de aproximação ao Islão, no decorrer dos seus próximos posts ... Amanhã, por exemplo, faremos o contraponto entre as candidaturas de Milão e de Izmir - uma cidade turca, menos conhecida do grande público, sobretudo quando comparada à imortal Milão, rica em tradições e múltiplas experiências de encontros entre diferentes religiões, com um espírito de abertura ao mundo ocidental digno de registo - à Exposição Universal de 2015 .

 

 

 

      Os resultados destes processos de candidatura estão, por esta altura, a ser criteriosamente analisados e, segundo fonte creditada, serão dados a conhecer lá para o final do corrente mês ...

 

 

 

( cf. MENSAGEM URBI ET ORBI, PÁSCOA 2008,  de SUA SANTIDADE BENTO XVI , Libreria Editrice Vaticana

 

cf. Islamic Conference Youth Forum for Dialogue and Cooperation, de 28 de Outubro a 2 de Novembro de 2007, em Baku, no Azerbeijão, Jorge Sampaio

 

    cf. Entrevista sobre a Educação e o Ensino do Diálogo Intercultural e Inter-religioso, promovida pelo Departamento do Diálogo Intercultural da Unesco, no âmbito do Programa do Diálogo Inter-religioso, de 1999 a 2001 ).

 

sinto-me: COM VONTADE DE DIALOGAR !
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

DESERTIFICAÇÃO EXIGE UM SÉRIO PACTO POLÍTICO E SOCIAL NO INTERIOR BEIRÃO

 

 

“Desertificação exige pacto político e social”

 

“Os cenários adensam-se e o alerta é para que a região planeie em conjunto o seu futuro. A perda das cidades médias é o cair de uma barreira de desertificação.

Fundão pode perder mil habitantes até 2011”

 

 

            As dinâmicas de atracção de pólos urbanos intermédios são a derradeira barreira no Interior no abrandar da acentuada fuga para o litoral. Os pequenos municípios encravados nos vales do esquecimento, as aldeias-fantasma que vão corroendo o território são pasto fértil da descrença e resultado visível da debandada das oportunidades. Na região, cidades como a Covilhã, Fundão e Castelo Branco apresentam-se, muitas vezes, como a primeira e única alternativa válida à fuga para as áreas metropolitanas do litoral. Os concelhos da Covilhã, do Fundão e de Castelo Branco resistem como podem à ameaça da quebra populacional. E só um crescimento concertado e consistente reforçará este muro de defesa do Interior. (…)Analisando os dados oficiais dos Censos de 1991 e de 2001, sobressai que a população entre os 15 e os 24 anos diminuiu 4,5 por cento e que a população com menos de 14 anos diminuiu 20,4 por cento. A população residente com mais de 65 anos, essa, aumentou 11,7 por cento.

 

In Jornal do Fundão, “O caminho é sempre em frente … e pode ser sempre a cair”, Nuno Francisco, Ano 63, Nº 3213, de 13 de Março de 2008, pp 9

 

 

 

 

 

“Pacto social e político para a região”

 

O professor Jorge Reis Silva, especialista em questões de mobilidade, alerta que “deveria haver um pacto social e político” entre os responsáveis políticos da região. “Nem todos os agentes políticos têm que falar a mesma língua, não têm que estar todos no mesmo partido político, as Câmaras não têm que ser todas do mesmo sinal, mas deveriam ser todas do mesmo vector de desenvolvimento, deveriam estar todas imbuídas do mesmo sentimento, que era em prol do desenvolvimento de uma região. E isso não tem acontecido”, diz o docente da Universidade da Beira Interior. É preciso estratégia, concertação, planeamento a nível geral. “Divididos, a nossa capacidade de valorização não sai realçada”, sendo urgente que “se ofereça o nosso território às oportunidades de uma forma integrada. Temos que nos entender para perceber o que queremos”, sublinha Jorge Reis Silva.

 

In Jornal do Fundão, “Destaque – Pacto social e político para a região”, Ano 63, Nº 3213, de 13 de Março de 2008, pp 9

sinto-me: NUM DESERTO DE IDEIAS ...
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Terça-feira, 11 de Março de 2008

A CIDADE DE VENEZA COM RISCO DE SER SUBMERGIDA PELAS ÁGUAS

A 4 de Novembro de 1966, - entretanto, já passaram, cerca, de quarenta anos – a incomparável Cidade de Veneza assistia, impávida e não muito serenamente, à subida galopante da maré, tendo chegado a atingir os 194 centímetros, - valor recorde, até então, nunca alcançado – e acabado por submergir a Sereníssima, deixando o lastro da ameaça a pairar sobre a chegada do futuro.

 

Os venezianos e apreciadores do património artístico temeram o pior, isto na estrita medida em que, os potenciais danos e custos associados passariam a assumir valores incalculáveis. Várias têm sido as soluções propostas, se bem que as somas dispendidas remontam a montantes muito elevados, para os cofres do erário público. Contudo, as águas do Mar Adriático, mesmo contra as múltiplas preces e vontades das gentes, teimavam em querer entrar, pelas zonas mais baixas, nomeadamente, pela famosíssima, e não menos encantadora, Praça de São Marcos.

 

A verdade dos factos nua e crua tem sido esta : o ecossistema lagunar, onde a Cidade dos Rondós, se insere, têm se agravado, de dia para dia, e as cheias parecem não ter a intenção de refrear os seus intentos. Independentemente de todo este quadro digno de Dante, bem mais do que Petrarca, o Estado italiano, em atestado de bravura política, optou, na década de 90 do século passado, pela salvaguarda de Veneza e de toda a sua laguna envolvente : tratava-se, no seu claro entendimento, de uma questão de interesse nacional prioritário. Os Surreal, também, concordam com esta leitura e aplaudem todas as tentativas levadas a cabo, pelas entidades competentes, no sentido de manter viva uma cidade tão única no mundo.

 

Seja como for, a criação do megacentro petroquímico de Porto Marghera e a escavação de canais de navegação profundos desencadearam a emissão de uma série de poluentes – derivados da actividade não só industrial, como também, agrícola e mesmo civil – para as águas e acabaram por impor modificações, muito amplas, no desenho hidrodinâmico da laguna. Por conseguinte, ficamos a perceber que, tanto a erosão, como a subsidência, a própria eustasia – entendida enquanto subida global relativa do nível do mar -, bem como a poluição acrescida do movimento das ondas, foram, pouco a pouco, contribuindo para todo este cenário meio bíblico.

 

Para lá de todas as vicissitudes e adversidades, mais ou menos, consentidas ou provocadas, o incrível foi, para os Surreal, ficar a saber da nova promissora solução engendrada pelos académicos e entendidos desta matérias : já tem nome e designa-se por Sistema Moisés. Actualmente, está a ser construído nos canais da laguna, os espaços entre a linha de costa e por onde as temidas marés entram e saem. Este sistema inovador, nunca antes testado, assenta num conjunto de barreiras fixas e barreiras móveis, com 78 paredões, dispostos, em articulação estreita, ao longo de quatro linhas. Em média, aquilo se espera de todo este intricado e dinâmico novo paradigma das cidades ameaçadas pelas águas, é que, durante um período de tempo de 4 a 5 horas, se possa fechar e consiga suportar até uma diferença de 2 metros, entre o mar e a laguna.

 

O objectivo primordial dos responsáveis é poder, num horizonte temporal que não exceda uma década, proporcionar à cidade, que têm apadrinhado as festividades carnavalescas – bem vincadas na sua larga tradição -, uma maior segurança à população residente e, já agora, á visitante. Sempre que as marés atingirem o nível 110, Moisés irá entrar em acção, sob pena de se deitar a perder todo um Património da Humanidade, impossível de recuperar.

 

Quanto mais não possa ser, os SurrealHumanity acreditam que Moisés conseguirá amainar a força das águas, pelo menos, no decurso deste século em que nos encontramos.

 

A Páscoa de Veneza parece, pois, assegurada, depois, logo se verá …

publicado por $urrealHumanity às 12:09
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SUÉCIA, PIONEIRA DO COMBUSTÍVEL VERDE

 

 

O etanol celulósico da madeira constitui uma peça fundamental da transição sueca para as energias renováveis. Anseiam por poderem ser os primeiros, em todo o mundo, a libertar-se da ditadura dos hidrocarbonetos, tendo já previsto, a título de estimativa – um pouco grosseira, talvez -, o final de todo este processo transitório para o ano de 2020.

            Independentemente das deambulações pelos meandros das dependências energéticas da Suécia, a verdade é que o etanol já conta com cem anos de existência, neste aprazível território nórdico. Actualmente, graças à sua produção de cereais, em conjunto com aqueles que importa do Brasil e da Europa, é capaz de assegurar, qualquer coisa, como 25% das suas reais necessidades crescentes de bioetanol.

            O mais curioso é que o Estado sueco, com a sua firme política de sustentabilidade ecológica, prevê taxas consideráveis para os veículos que emitam dióxido de carbono para a atmosfera, e os seus cidadãos, em vez de ripostar, na sua alta noção civilizacional, agradecem. Para termos uma ideia mais apurada, cerca de 75% dos veículos adquiridos pelo Governo têm de ser de energias limpas, enquanto que, na capital, a proporção é – por incrível que pareça – de cem por cento.

            Quanto aos táxis, os trâmites do quotidiano desta nação eslava seguem as mesmíssimas pisadas.

Parabéns e felicitações merecidos, sem dúvida.

Os SurrealHumanity convidam os bloguistas a seguir este exemplo …

publicado por $urrealHumanity às 11:59
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À meia duzia é mais barato....

 

            Fiquem a conhecer algumas curiosidades interessantes, espalhadas por esse mundo fora, quem sabe se nos poderá tocar um pequenino quinhão …

 

            CIDADE DE LONDRES : Exposição “Tutankhamon e a Idade de Ouro dos Faraós”, inaugurada no passado dia 15 de Novembro, e com visitas asseguradas até 30 de Agosto de 2008.

 

            CIDADE DE AMSTERDÃO : Festival de Cinema Documental a decorrer de 22 de Novembro até dia 2 de Dezembro.

 

            RIVIERA MAIA, NO CARIBE : Quinta edição do Festival de Jazz, de 29 de Novembro a 1 de Dezembro.

 

            CIDADE DE MADRID : Exposição da escultora Camille Claudel, até 13 de Janeiro, no Instituto de Cultura da Fundação MAFRE de Madrid.

 

            CIDADE DE VARSÓVIA : Festival de Piano, ao longo de todo o mês de Novembro.

 

            CIDADE DE CANNES : Festival de Dança, no Palácio dos Festivais, até ao próximo sábado, dia 1 de Dezembro.

 

            TORTOSENDO : PROJECTO DO GRUPO SURREALHUMANITY EM EXPOSIÇÃO NO BLOGUE DOS BLOGUES

            http://surrealhumanity.blogs.sapo.pt

OU NO SÍITIO DOS SÍTIOS

            http://SURREALHUMANITYXXI.NO.SAPO.PT

publicado por $urrealHumanity às 11:50
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